E ELE MESMO DEU UNS PARA... MESTRES

I Timóteo 5: 17


Introdução
- Embora o texto bíblico básico acima não trate exclusivamente do mestre, é nossa intenção demonstrar como o papel do ensino, na igreja, é importantíssimo. A capacidade de ensino é uma virtude que todo líder deve ter e que muitas vezes trabalha juntamente com outro ministério.
- Veremos aqui, que o ministério de Mestre normalmente funciona em conjunto a outro dos cinco ministérios. Dizemos que a maioria dos ministérios toca o Mestre. O apóstolo toca o mestre, o profeta toca o mestre e, mui especialmente, o pastor toca o mestre.
- Neste ponto vamos esclarecer as exigências para o trabalho do mestre e qual o seu papel no trabalho de fundamentar as doutrinas em uma igreja apostólica. Vamos primeiro aprender como Jesus se destacou como Mestre dos mestres e seu plano de estabelecer mestres na sua igreja. Identificar o trabalho e a missão de Jesus é importante para que o mestre desempenhe seu trabalho de modo a honrar a Cristo.


1) Jesus, o Mestre por Excelência
a)  Leiamos João 13:13. Esta passagem bíblica nos ajuda entender o ministério de mestre de Jesus, a partir do ponto de vista de sua aceitação por ele próprio.
b)  A palavra mestre, no NT é didaskalov - didaskalos
i-      Alguém que ensina a respeito das coisas de Deus e dos deveres do homem; alguém que é qualificado para ensinar; trata também dos mestres da religião judaica; inclui aqueles que pelo seu imenso poder como mestres atraem multidões.
ii-     Pela sua autoridade, usado por Jesus para referir-se a si mesmo como aquele que mostrou aos homens o caminho da salvação;
iii-   Aqueles que, nas assembléias religiosas dos cristãos, encarregavam-se de ensinar, assistidos pelo Santo Espírito.
(Comentários de Strong)

c)  Jesus, em seu tempo, não falava grego, mas sim aramaico. A forma traduzida no grego vem das expressões aramaicas e hebraicas. Jesus era chamado de Rabi – ybr, que é título usado pelos judeus para dirigir-se a seus mestres.

d)  Vejamos as palavras rabboni – rhabboni  ou  rabbouni – rhabbouni. Estas palavras são do hebraico/aramaico e foram usadas no texto de João 20:16.


2) O Ministério Exercido com outros
a)  O ministério de mestre, observando os textos bíblicos, não funciona só. Não porque não possa, mas porque a maioria dos ministros que vemos na Bíblia atuavam em conjunto com os ofícios de profeta ou apóstolo.

b)  Atos 13: 1-3. Ali vemos os ministros de Antioquia ministrando ao Senhor. Até esta data Paulo e Barnabé atuavam no ofício de Mestre. Seguiram ensinando assim, porém depois já eram reconhecidos como apóstolos. Em 2 Timóteo 1: 11 Paulo se reconhece como Apóstolo e Mestre.

c)  Quando lemos 2 Pedro 2:1 e Judas 8, percebemos o aviso quanto a falsos mestres. Se existe o falso é porque existe o verdadeiro. Como já vimos no tema profeta, você nunca vai encontrar uma nota falsa de R$300,00, porque ela simplesmente não existe. Só se falsifica o verdadeiro.

d)  Na prática, o que vemos hoje, é um pastor que tem uma grande capacidade de ensino. Também podemos ver no corpo de Cristo vários apóstolos e/ou profetas que exercem uma grande obra no ensino. Não o fazem apenas por uma formação acadêmica, mas por uma formação celestial.


3) Missão, Tarefa e Requisitos dos Mestres
a)  Como vimos em Atos 15: 22, 27, 32, Judas e Silas, que também eram profetas, cumpriram uma missão dada pelo presbitério apostólico de Jerusalém. Fortalecer os irmãos gentios, juntamente com Paulo e Barnabé. A missão deles era afastar toda e qualquer dúvida em relação à conversão deles, esclarecendo, a partir de então, o ponto de vista da graça de Deus.

b)  Assim, podemos entender que a missão do Mestre é transmitir os fundamentos estabelecidos pelos apóstolos, dando estrutura bíblica e espiritual aos seus ouvintes. É importante notar que o Mestre de ofício é alguém que atua de modo sobrenatural na área do ensino bíblico. A finalidade do mestre é transmitir revelação bíblica a igreja. Alguém poderá fazer um curso teológico, ter formação acadêmica e explicar fundos históricos e esmiuçar passagens bíblicas, mas o mestre transmitira o propósito de Deus.

c)  Isto não quer dizer que um mestre de ofício não deva ter uma formação teológico-bíblica de alto nível. Claro que não é assim! O entendimento que vem por revelação, precisa ser dinamizado pelo conhecimento formal de um seminário, instituto bíblico. Porém é preciso ressaltar que o mestre será alguém que ao transmitir a Palavra Bíblica, revelando-a aos seus ouvintes, será logo reconhecido pelo povo, como alguém notoriamente capacitado pelo Reino para transmitir a vontade de Deus.

d)  Os requisitos para a conduta do mestre são as mesmas estabelecidas em I Timóteo 3: 1-7 e Tito 1: 3-6. Isto posto, porque o mestre deve ser um exemplo para os fiéis, a fim de não ser reconhecido como uma mestre de “nuvem seca”, ganancioso, interessado no que as pessoas têm e não no que pode servir.

e)  A missão do Mestre, que funciona com o presbítero deve ser acompanhada pela devida honra de seu ministério. O texto de I Timóteo 5:17 nos informa que os presbíteros que “administram” bem e labutam no ensino e na doutrina, devem ser dignos de duplicada honra. Isto quer dizer um salário digo e bom! Paulo estabelece aos Gálatas (Gl 6:6-7) que cada um deve incluir em sua vida abençoar com recursos os que lhe ensinam a palavra. Ao fazerem isto, semeiam no Espírito.

f)    Quando falamos de Mestre como presbítero, o fazemos baseado no princípio ensinado que o Mestre faz parte do presbitério. Porém, os presbíteros que atuam como “anciãos”, ou sábios conselheiros, nem sempre são profundos em assunto bíblico e nem sempre são ensinadores. Há presbítero que administra, há presbítero que ensina e há presbítero que somente faz função pastoral. Outros há que façam os três. Deve o presbítero entender que não é o maior conhecedor das escrituras e evitar achar que porque é presbítero todos devem aceitar seu ensino bíblico, que por vezes não é profundo.


4. Resumindo Todos
a)  Analisemos juntos o que vimos até aqui. Vimos que os 5 ministérios são ministérios de Cristo e que como ele é cabeça, também os 5 integram a liderança da igreja.

b)  Entendemos bem a função do diácono. Eles têm a missão de servir a igreja, pois são ministros designados por ela. Diferem dos 5 ministérios, que são designados por Cristo. Os diáconos são ministros da igreja para servir a ela e nela. Os 5 ministérios são ministros de Cristo para servirem a Ele na igreja. O objetivo dos 5 ministérios estão expostos em Efésios 4: 12-13.

c)  A tarefa do apóstolo e do profeta é lançar os fundamentos doutrinários da igreja. Cabe a eles estabelecer estes fundamentos, dando estrutura ao corpo de Cristo. Tal fundamento não pode ultrapassar e nem ficar aquém do propósito de Cristo, exposto em sua Palavra.

d)  A missão fundamental dos 5 ministérios é estabelecer, fundamentar, fortalecer as bases do Reino de Deus. Estes ministérios não estão estabelecidos por Cristo para serem meros administradores de igreja e simples ensinadores de crentes. O propósito é o Reino, porque Jesus veio a terra não só para salvar os pecadores, mas veio estabelecer o Reino de Deus. Sua mensagem central era: O Reino de Deus chegou!

e)  O apóstolo é o delimitador da ação de sua equipe. Ele não é um líder que reage às necessidades do Reino, mas alguém que se adianta e age seguindo o propósito de Deus para sua missão. Paulo, por exemplo, foi designado apóstolo dos gentios, a fim de estabelecer o Reino de Deus entre eles. O apóstolo tem a visão, age baseado nela e enxerga a frente os propósitos. Ele é a águia real, treina e capacita líderes

f)    O profeta é aquele que revela tempos e propósitos. Ele é o vaso de Deus que corrige o rumo errado e repreende a perda da visão. Se a igreja fosse um navio, ele seria o imediato, se fosse um avião, ele seria o co-piloto.

g)  O evangelista é o homem de Deus para anunciar a salvação em Cristo. Sua mensagem principal é que todos se arrependam e creiam no evangelho do Reino. Para o evangelista o Reino de Deus não é uma coisa para o futuro, pois ele entende que somente homens salvos por Cristo podem se integrar ao Reino. Daí que a palavra de salvação para ele está intimamente ligada ao fato de estabelecer o governo de deus na vida das pessoas. Entender sua missão de ganhar almas é fundamental para a vontade de Deus em sua vida.

h)  O pastor e o mestre se unem para tratar dos “súditos” do reino. Eles são os médicos e enfermeiros do povo. Caminham no propósito de cuidar da alma e do espírito das pessoas que conhecem a Cristo e precisam de crescimento. Há muitas “crianças” no Reino de Deus e cuidar delas depende de ensino, disciplina e apoio. O ofício de pastor e mestre são os instrumentos de Cristo para cuidar do “coração” da igreja.

i)    Aprendemos também, que os presbíteros são todos aqueles que fazem parte da liderança da igreja. Entendamos que presbítero e bispo é função e não ministério. Muitos que fazem parte do conselho da igreja funcionam como “anciãos” e devem ser honrados como tal, pois são homens e mulheres que fazem parte da multidão de conselheiros. Seu ministério é profético, no sentido de serem conselheiros sábios.

j)    Finalmente, entendemos que o ministério da mulher em nada difere do ministério do homem, porque em termos ministeriais e cristão, não há macho nem fêmea, pois todos são um em Cristo Jesus. Não é uma postura filosófica, mas sim bíblica. Deus não tem compromisso só com homens, ele é Deus de homens e mulheres, escravos e livres, judeus e gentios. Todos somos filhos de Abraão em Cristo Jesus.


Conclusão
Como os estudos apresentados chegamos ao fim do assunto Ministérios da Igreja. O que aprendemos até aqui não esgota o assunto. A finalidade foi estabelecer parâmetros para discussão em classe e apontar para uma visão do Ministério Apostólico Celebrando A Vida. Ao mesmo tempo é importante que cada um saiba discutir os assuntos aqui abordados com fundamentação bíblica e exegética. Visões filosóficas e discussões opinativas não contribuem para o estabelecimento da verdade bíblica. Assim que, analisando as Escrituras de Cristo cada um deve entender que a visão apostólica visa seguir uma orientação do Espírito Santo e tal qual Paulo afirma em suas cartas, “cremos que o Espírito de Deus habita em nós e nos orienta no estabelecimento de seu Reino”.
Deus nos abençoe e nos fortaleça a fim de sermos bons ministros de Cristo.

Shalom!

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