MAIS VERDADES SOBRE O REINO DE DEUS

Lucas 17: 20-21



INTRODUÇÃO
Tendo lançado as bases do poder espiritual do Reino de Deus no estudo anterior. Vamos falar mais praticamente da execução dos planos de Deus. Este estudo prevê que você entenda que o Espírito Santo é o ministro do Reino de Deus na terra. Ele é o facilitador e o capacitador dos cidadãos do Reino. Sem ele não há Reino dentro de nós, pois “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”.
Ao final deste estudo, você entenderá que esta é a razão de Jesus ter soprado o Espírito sobre seus discípulos. Não existe cidadão do Reino sem que haja o selo da promessa. Os que fazem parte do Reino de Deus não são os que dizem estar nele, mas os que manifestam ele pelo poder do Espírito Santo.


1. NÃO CONFUNDA ONDE O REINO ESTÁ
a) Romanos 14: 17 – Já aprendemos que o Reino de Deus não pode ser confundido com o TER. Tudo o que tenho e mesmo o que sou devem estar à disposição do Reino de Deus e não o contrário. Deus não é meu garçom! Ele é meu Pai! Essa é a orientação de Jesus aos seus discípulos. As pessoas que não sabem o que é nem quem é Deus tendem a pensar nEle como alguém que tem algo sempre a nos dar, sem que tenhamos qualquer ou nenhuma responsabilidade com seu Reino. Fomos feitos com um propósito e pecamos quando pensamos que nossa existência se resume ao que temos ou o que devamos ter. Nossas necessidades humanas não nos tornam o que somos. Reino de Deus não é comida nem bebida. Reino de Deus é ser governado pelo propósito de Deus.


b) Já vimos o que apresento a seguir, no estudo anterior. A palavra “reino” também é governo, soberania. Somos embaixadores por Cristo, pois representamos o Reino dos Céus. Estas coisas nos remetem a uma verdade: vivemos neste mundo, mas não somos dele. Os filhos de Deus vivem na terra com o propósito de representarem o Reino de Deus, o reino de amor de seu Filho Jesus Cristo. Embora o Reino seja dos céus, mas nós, seres humanos, filhos de Deus, somos ministros na terra. Segundo os Salmos, nós somos as labaredas de fogo, ministros do Senhor.

c) Então, o reino de Deus não consiste apenas um lugar físico. Jesus nos chama a atenção a este fato: não está ali ou acolá! Por isto Jesus pregava que “é chegado a vós o Reino de Deus (ou Reino dos céus)”. É muito importante esta palavra de Jesus em Lc 17:20, quando afirma que o Reino de Deus não vem com aparência exterior. Outras traduções desta passagem falam de sinais para serem observados, ou simplesmente, avisos exteriores. Jesus enfatiza, portanto, que o Reino de Deus não pode ser quantificado ou avaliado por uma visão humana, exterior, visível. O Reino só pode ser entendido por quem experimenta a presença de Deus. Isto é algo sobrenatural, além da capacidade natural do ser humano. Somente os espirituais podem compreender a natureza do Reino de Deus. Como já vimos, o Reino não está nas coisas que temos, em bens ou possessões.


2. O REINO É UM GOVERNO QUE NOS DIRIGE
          Bom, eu tenho de lhes transmitir minha compreensão sobre estas palavras de Jesus, no que se refere ao Reino vir sem aparência exterior e que está dentro de nós. É muito forte a palavra usada por Lucas para designar isto: “entov” – entos – em, dentro. Jesus quer dizer que não dá para identificar o reino por sinais exteriores, porque ele não está num lugar palpável na terra, ele está, de modo invisível, dentro de nós. Quem manifesta o Reino de Deus, são os que nascidos de novo, têm o Espírito Santo habitando neles.

a) Deus quer nos governar – Embora pareça repetitivo o que vou lhe dizer, mas tem umas nuances distintas no que lhe apresento. Deus nos deu o livre arbítrio para que tenhamos o direito de escolhê-lo. Diferente dos anjos, fomos dotados de uma capacidade de escolhermos obedecer. Por esta razão fomos alvos do amor de Deus.  Sua escolha a nosso respeito é baseada no amor. O amor não pode ser uma obrigação autômata. Amor é uma escolha responsável, que diz que vou cuidar, respeitar, honrar e desejar. Deus nos amou, nos ama e nos amará. A tirania é uma atitude baseada no egocentrismo e não evoca amor e, se há amor, ele é egoísta, não é ágape. Então, Deus não quer nos governar porque quer ser um tirano, ele quer que escolhamos amoravelmente submetermos a Ele. Essa é a aparência invisível do Reino e tem de estar dentro de nós. Deixo aqui para leitura 2Co 5: 14-17. Leia por favor.

b) Devemos abrir mão de si mesmos – Jesus viveu aqui, como ser humano, totalmente submisso ao Pai. Bem lembrado aqui é a palavra de Jesus em João 4: 34 – “Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra”. Relembremos aqui Romanos 14: 17. Como podemos viver assim? – O apóstolo Paulo soa um pouco soberbo quando diz: “sejam, pois meus imitadores, como eu sou de Cristo”.

Entretanto, o segredo da vida cristã está  em imitar a Cristo, talvez não como Paulo foi, mas precisamos achar a justa medida de Deus para cada um de nós. Paulo diz: “Não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim...” e nos desafia a mantermos nossa vida assim. João especifica que quando somos filhos de Deus, lembremos, não nascemos do sangue, nem da carne, nem da VONTADE do ser humano, mas de Deus! Portanto, o plano de Deus é que fomos criados para sermos obedientes a Ele. Isto não ocorrerá enquanto não desistirmos de nossa própria vontade e dos nossos planos malignos. Meu Deus, isto é tremendo e terrível!!!

c) Governados de dentro e não de fora – Quando Jesus diz que o Reino de Deus está dentro de nós, nos adverte que não somos guiados pelo que vemos ou pelas “aparências exteriores”. Quando o profeta Samuel foi a casa de Jessé para ungir o rei que Deus havia escolhido, o pai, Jessé, julgava que o rei seria uma escolha “natural”. Colocou diante de Samuel desde o primogênito até o mais novo (não considerou Davi, por quê?). Samuel estava envolvido por esta atmosfera natural e quase cai no conceito da aparência exterior. Viu Eliabe pensou consigo, “certamente está diante de mim o Rei de Israel, o escolhido de Deus”. Você lembra ou sabe o que o Espírito Santo disse a ele? O próprio texto de 1 Samuel 16: 4-12 nos mostrará algo tremendo.


3.  O ESPÍRITO SANTO NO REINO DE DEUS
          Lembremos das palavras de Paulo: “embora andando na carne, não militamos segundo a carne...”

a) Quando Adão foi formado, diferente de todos os outros animais, ele recebeu o sopro divino. Ele se tornou um ser espiritual e não carnal. Adão vivia na carne, mas sua relação com Deus era baseada na coragem de falar com Deus face a face, sem véus! Lembra-se disto?

b) Quando Deus fez a terra e tudo que nela há, no livro de Gênesis, vemos que ELOHIM estava executando. Este não é o nome pessoal de Deus, é seu nome genérico, que designa “O Deus”. Porém, quando o homem foi formado, a escritura deixa de tratar da natureza genérica de Deus e trata de forma mais pessoal. Agora, na criação do homem o Deus pessoal é YHWH ou Yhaweh. Então o ELOHIM YHAWEH, o Senhor Deus ou o Deus Yhaweh, faz o homem e a mulher. Daí em diante o que se relaciona ao ser humano, YHAWEH está presente. Esse é o nome do Deus de Israel, do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus de Moisés. É o Deus Eterno, que está descrito no Salmo 23 como nosso pastor. É o “Eu Sou” como se apresentou a Moisés. É o mesmo que Jesus se refere em João 8 e quando termina a frase final que diz: “antes de Abraão existir, EU SOU”.

c) Foi este que soprou nas narinas de Adão o folego da vida e fez de Adão um ser vivente. O mesmo que deu sono a Adão e de sua costela fez Eva. O mesmo que se relacionava com ele sem nenhum “véu”, até que Adão e Eva pecaram e se esconderam dele, por vergonha e temor. O mesmo, portanto, que deu de seu Espírito ao homem e, ressurreto, como Jesus Cristo, soprou sobre os discípulos e disse: Recebei o Espírito Santo.

d) Agora, este Espírito Santo habita nos crentes. É a garantia da redenção, pois é o selo da promessa – Efésios 1: 14. Se queremos entender melhor isto, devemos examinar o que diz os apóstolos Paulo e Pedro sobre estes temas.

èNão sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós” – 1Co 3: 16-17
è...não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo” – 1Co 6: 19-20.
è “vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” – 1Pe 2: 5.


4. O DISCERNIMENTO DO ESPÍRITO NO REINO
          Jesus, perto de sua experiência no Getsêmani, que antecedeu sua morte de cruz, falou aos discípulos dele, no evangelho de João sobre a missão do Espírito, quanto a nós, os filhos de Deus. Jesus disse que ele nos guiaria em toda a verdade e que não falaria de si mesmo.

a) O Reino de Deus tem uma Constituição, um povo e um lugar pra existir. O Reino de Deus nos estabelece como povo de Deus, nação santa, povo adquirido. Assim está estabelecido em 1Pe 2: 9. O Reino de Deus tem um governo central, cuja sede está no trono de Deus. Dali saem os anjos para cumprirem o propósito de Deus em toda a terra. O Espírito Santo é o agente de Deus na terra para guiar os ministros, labaredas de fogo do Senhor.



b) O plano de Deus para que o seu Reino se manifeste prevê que não dependamos apenas de ler o que está escrito para sermos guiados. “E o Espírito Santo também no-lo testifica, porque depois de haver dito: Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seu entendimento” – Hb 10: 15-16. Ainda encontramos em 2Co 3: 6-8 que nos fala do ministério do Espírito. Esse ministério está explicado nas palavras de Paulo, quando ele ensina acerca dos dons espirituais. Um dos dons é o discernimento de espíritos. O Espírito Santo nos capacita para que possamos fluir no Reino de Deus. Tudo isto não quer dizer absolutamente, que Deus não está usando sua Palavra. Apenas está nos dizendo que a letra mata, mas o espírito vivifica. A palavra de Deus, como está nos Salmos, deve estar em nosso coração. É ai que vamos ser guiados pelo Espírito, porque porá em nosso espírito, em nosso coração, as palavras de Deus. Salmo 119: 11.

c) Deixe ser guiado pelo Espírito Santo. Seja cheio do Espírito Santo. Ande no Espírito. Isto não é difícil, você só precisa convidar diariamente que o Espírito Santo faça isto. O que você liga na terra, está ligado no céu. O plano de Deus prevê que o Reino se manifeste através de você, pela ação poderosa do Espírito Santo. O Reino de Deus tem um ministro que nos guia, nos adverte e nos dá discernimento das decisões a tomar, baseadas na Constituição desse Reino: a Palavra de Deus. Não se pode falar de Reino de Deus sem entender que o Espírito Santo de Deus é o que estabelece em nós os planos de Deus e nos guia a segui-lo e obedecê-lo. Isto pode lhe parecer repetitivo, mas você precisa aplicar tudo que aprendeu sobre o Espírito Santo no estabelecimento do Reino de Deus na terra. Sem que o Espírito nos guie, não haverá Reino de Deus.


CONCLUSÃO
          Bom, chegando agora aqui você já percebeu o propósito deste ensino. Claro que você já entendeu que Reino de Deus na terra requer ação do Espírito Santo de Deus em nós. Isto quer dizer que pelo fato de o Espírito Santo agir em nós, o Reino de Deus manifestará a glória de Deus. Fomos convocados a falar de nosso Rei, exaltá-lo.
          O fato de o Reino de Deus estar dentro de nós, como disse Jesus, nos determina que a natureza deste Reino requer sensibilidade espiritual. “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus”. É assim que Paulo entende como podemos manifestar o Reino.
            Assuma o compromisso de que se deixará ser governado por YHAWEH. Esse, que se tornou o Cristo, deixou-nos o Espírito Santo, afim de que sejamos capacitados por ele no estabelecimento de um reino que não é baseado em comida e bebida, mas em justiça, paz e alegria no Espírito.

VERDADES SOBRE O REINO DE DEUS

Mateus 6: 33; Romanos 14: 17



INTRODUÇÃO
Os textos que vamos nos deter hoje, encerram em si mesmos profundas verdades sobre o Reino de Deus. Embora ambas as passagens sejam palavras de autores distintos, porém elas se completam, por causa do propósito do que tenho a compartilhar com vocês neste estudo.
No estudo de hoje quero destacar algumas verdades do Reino de Deus no que se refere aos relacionamentos humanos. Você verá que não quero falar das riquezas e “bem-aventuranças” do reino, mas da manifestação da justiça, paz e alegria... no Espírito. Se você espera explicações profundas sobre tomada de regiões, demarcação de territórios, mapeamento espiritual, declaração profética e apostólica, não se decepcione. Quero falar do Reino de Deus entre nós e o que Deus quer que façamos em nossos relacionamentos de Reino. Além dos versículos acima, devemos ler todos os seus contextos. Então, devemos fazer uma leitura de Mateus 6 e Romanos 14. Inclua também Lucas 12.




1. O CONTEXTO DAS PASSAGENS
a) Mateus 6:33 – Esta passagem está dentro do discurso de Jesus chamado “O Sermão da Montanha”. Tanto Mateus, como Lucas narram este Sermão, cada um com um propósito diferente e, por isto, algumas partes deste sermão de Jesus contem algumas diferenças nos dois evangelhos. Mateus estabelece como plano demonstrar a maneira como Jesus interpreta a TORAH e como veio cumprindo toda a Lei. O tema sobre Reino de Deus está incluído neste sermão. Em Lucas, a passagem semelhante a esta de Mateus está em outro capítulo, que não faz parte do Sermão da Montanha. Então recomendo ler Mateus 6: 24-34 e Lucas 12: 22-31.

b) Jesus está falando sobre a busca ansiosa pelos bens necessários tais como, comer, beber, vestir. O problema não está em precisar ou buscar. O problema está na ansiedade pelas coisas da vida. Jesus, te asseguro, tem em mente a maneira de como Adão não se preocupava com o dia de amanhã. Ele não tinha que andar preocupado com o que comer ou vestir. Mesmo quando o homem e a mulher pecaram, Deus não os abandonou. Ele mesmo providenciou vestes para ambos, depois que se aperceberam estar nus (Gn 3: 21). Jesus apresenta a maneira de como o Pai cuida dos pássaros e dos lírios, providenciando para eles o necessário. Daí nos questiona, tal qual questiona os discípulos: não valemos mais que eles? Reafirma o fato de não andarmos preocupados com nossas necessidades. Por esta razão nos desafia se preocupar primeiro com as coisas do Reino. Paulo também nos lembra de não andarmos ansiosos, eles diz isto em Filipenses 4: 6-7.

c) No texto de Romanos, Paulo parte de um problema de relacionamentos no meio do povo de Deus. A questão é de como as pessoas estão prontas para julgar os outros e de como outros vivem como se não existissem pessoas próximas que podemos ferir com nossos conceitos. Porém, o tema é a comida ou a bebida. As pessoas estão tão preocupadas com o que os outros comem (metendo-se na vida alheia) que criam regras do que pode ou não pode, como parte de sua religião. De novo, crentes estão preocupados com comida ou bebida. Paulo trata de minimizar a preocupação com isto, porque viver no Reino de Deus não requer nos preocupar com o que comer ou beber. Precisamos sim destas coisas, mas não podemos ser governados por estas necessidades. O Reino de Deus é algo que vai além de nossa vida material e dos bens que possamos obter. Reino de Deus não se baseia em posses, comidas, tesouros e coisas que possam parecer importantes a nós. Reino de Deus baseia-se em buscar a vontade de Deus e não de si mesmo.



2. O REINO TEM UMA NATUREZA DIVINA
          Como observado, o Reino é de Deus e não dos homens. A natureza do Reino é que ele pertence a Deus e não a humanidade. A humanidade deve submeter-se aos planos divinos e não o contrário.

a) A palavra “reino” também é governo, soberania – Paulo cita em várias passagens que somos cidadãos dos céus. Nossa pátria está nos céus – “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” – Fp 3: 20, e pela fé, aguardamos a pátria celestial – “Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade” – Hb 11: 16. Por causa disto somos embaixadores por Cristo, pois representamos o Reino dos Céus. Estas coisas nos remetem a uma verdade: vivemos neste mundo, mas não somos dele. Os filhos de Deus vivem na terra com o propósito de representarem o Reino de Deus, o reino de amor de seu Filho Jesus Cristo. Embora o Reino seja dos céus, mas nós, seres humanos, somos ministros na terra. Segundo os Salmos, nós somos as labaredas de fogo, ministros do Senhor.


b) Há na terra outro Reino, que a tomou das mãos dos homens – Satanás, quando tentou a Jesus, conforme Lucas 4: 5-6, afirma que os reinos e a glória deles foram entregues a ele, satanás. Lendo Mt 12: 25-26, Jesus sugere um reino de satanás, quando discute a possibilidade de o reino do maligno não estar dividido. Paulo nos diz em Ef 2: 2 que há um principado das potestades do ar e conforme 2Co 4: 4, esse é o deus deste tempo. Tais passagens falam do reino do maligno, satanás. Jesus alertou e João também, que o mundo jaz no maligno. Este reino precisa ser destronado e retirado! Para tal o Reino de Deus precisa se manifestar. Mas, lembremos que esta não é uma batalha baseada na carne. Paulo nos adverte que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados. Para tal, as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim, poderosas em Deus – 2Co 10:2.

c) Lembremos que a natureza divina do Reino está em nós, porque Jesus nos diz, em Lucas 17: 21, que o Reino de Deus está dentro de nós. Somos casa espiritual, sacerdócio santo, templo do Senhor e o Espírito de Deus se move em nós. De acordo com Pedro 1: 4, por meio das promessas divinas, temos sido feitos participantes da natureza divina. O propósito disto é que entendamos que embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Jesus nos lembra, dizendo isto aos seus discípulos, que estamos no mundo, mas não somos do mundo, como ele não é do mundo. Por que devemos entender isto? O que Jesus quer que entendamos?



3.  O QUE VEM EM PRIMEIRO LUGAR
          Queremos muitas coisas, porém precisamos mesmo de poucas. O mundo de hoje gera em nós um desejo por muitas coisas, porque o marketing comercial gera em nós muitas necessidades. O foco da propaganda é: “Tenha isso, tenha aquilo! Sua felicidade é ter isto ou ter aquilo”. Somos impelidos a trabalhar e gastar, porque isto gira o capital, a economia. Quanto mais se compra, mais se necessita repor mercadorias e aí há mais emprego... essa é a linguagem econômica de hoje.

a) Comida e bebida não é reino – Na passagem bíblica de Romanos 14 o apóstolo Paulo se propõe a resolver uma questão séria de costumes: o que se deve ou não comer. Ele não tem nenhuma intenção em esclarecer o que se deve comer, seu propósito é declarar que a vida cristã não consiste nisto. Cristianismo não é baseado em comida e bebida. Saber o que é santo pra se comer ou beber e o que é pecado, neste caso, não constitui a cerne da vida em Cristo. O centro da vida em Cristo é justiça, alegria e paz... NO ESPÍRITO! Paulo quer tirar-nos do foco material e focalizar-nos no que é espiritual. Em sua discussão em Romanos 14, o centro da questão é que vivemos para o Reino de Deus.


b) Se observarmos, veremos que o que Paulo quer é que paremos de discutir valores carnais. O texto de Romanos se propõe a cessar a discussão de valores humanos que passam de acordo com a cultura, região que se vive, modismos e conceitos pessoais. Embora o apóstolo diga que o Reino não é comida nem bebida, se lermos o texto e o contexto, vamos ver que, ainda que realmente o reino de Deus não seja comida nem bebida, o que Paulo quer é dizer: O reino de Deus não consiste na discussão de nossas ideias humanas e necessidades pessoais. Ele quer dizer que o reino de Deus é baseado no propósito de implantar na terra justiça, paz e alegria espiritual. O nosso corpo precisa destas coisas, comida, bebida, vestes, onde morar... e Deus sabe muito bem que precisamos disto. Porém, se descansarmos nele, todas estas coisas serão supridas, porque ele tem cuidado de nós. Temos de trabalhar para que a justiça de Deus, a paz de Deus e a alegria do Senhor se manifestem.

c) Haverá um tempo em que o Reino de Deus dominará todas as coisas na terra, como era feito ao tempo de Adão, antes do pecado. Naquele tempo, Adão não se preocupava com outra coisa, senão em obedecer a Deus e relacionar-se com ele. Os políticos, de esquerda ou direita discutem qual a melhor forma de governo, se democracia, se capitalismo ou socialismo. Os governos querem ser mais justos e produzirem paz, afim de que o ser humano possa ser feliz. As liberdades, discutidas hoje em dia, a partir da ideia de que o homem pode fazer o que quiser porque é livre, nos coloca numa luta permanente pela busca da felicidade. Todos podem ser o que quiserem, mas ainda não somos felizes. Veja bem, Paulo quer dizer-nos que pra que a justiça e a paz se manifestem trazendo alegria a nós, temos de viver aqui e agora o Reino de Deus. Então, sobre a discussão do que comer e beber, ele acredita que o melhor a fazer é ambos os lados convergirem na direção da felicidade do outro: um não julgar o outro e o outro não escandalizar o um. Se buscarmos não a própria felicidade, mas a de outrem, então isto será Reino, porque no Reino eu não considero que o que como é mais importante, o mais importante é que haja justiça, paz e alegria. O foco do Reino não é buscar o que quero, o que preciso, o que gosto, mas o que Deus quer de mim. Eu não sou o centro, a vontade de Deus é o centro de tudo.



4. A SOBERANIA DE DEUS TEM PROEMINÊNCIA
          Fiz uma adaptação das passagens bíblicas a seguir, para melhor entendimento do propósito do escritor e/ou de quem proferiu as palavras. Releiamos agora Mateus 6: 33 e Lucas 12: 31 – “Mas façamos maior esforço pela soberania de Deus e para que a justiça da maneira que Deus entende nos governe” ... “busquem antes de tudo o governo de Deus e a demais coisas (tais como comida, bebida e o que vestir) lhes serão acrescentadas”.

a) O maior problema do mundo de hoje são as injustiças sociais, a má distribuição de renda e o hedonismo. Por hedonismo se define que é cada uma das “doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moraL. Embora se afastem no momento de explicitar o conteúdo e as características da plena fruição, assim como os meios para obtê-la”. Outra: “modo de vida inspirado na dedicação ao prazer como estilo de vida”. Hedonismo quer dizer uma atitude egoísta em busca do prazer pessoal. A maioria das pessoas está numa busca frenética de prazer pessoal, sem se importar com o alheio.

b) Quando o ser humano quer viver a sua própria maneira, o egoísmo impera. Aí não importa o que os outros vão pensar de mim, baseado num premissa falsa de que estou buscando a minha felicidade, sem me preocupar se o que faço torna o outro infeliz. Não, a justiça de Deus prevê que a maior felicidade de cada um de nós é fazer o outro feliz. Quer prova disto? – “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”. João 15: 12-13. Quer mais? – “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” – Romanos 5: 8.

c) Porém esta é uma atitude, em todo o tempo, recíproca. Essa atitude nunca é de apenas uma via ou “u’a mão”, é “mão dupla”, duas vias. Jesus nos ensina: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros” – João 13: 34. Não se pode falar de Reino de Deus, baseando nossas explicações no que temos de bens. Todas estas coisas são importantes: comida, bebida, vestes, moradia... Mas precisamos entender que Reino de Deus é justiça, paz e alegria NO ESPÍRITO, no Espírito, no Espírito... no Espírito. Não é na carne, no ventre, na alma, é no Espírito... mudemos o foco.  Então, encha-se do Espírito. Encha-se da vontade de Deus.




CONCLUSÃO
          Antes de nos aprofundarmos no tema Reino de Deus, precisamos compreender que não há manifestação do Reino de Deus se não nos deixarmos dominar pela vontade do Pai. Como visto, Reino de Deus não é um lugar pra se discutir posses e benesses. Reino de Deus é um lugar pra se discutir onde e como fazer a vontade de Deus. Isto é o centro de tudo.
          Como você pode me acompanhar, é preciso ler a palavra reino como soberania e governo de Deus. Alguns pensam em reino apenas pelo lado das riquezas que se pode desfrutar. É claro que no Reino de Deus há prosperidade, mas ela não é objetivo, é consequência. A meta é que sempre a vontade do Pai tenha proeminência.

          No próximo estudo vamos discutir onde está a vontade de Deus e como fazê-la. Porém, não podemos chegar a isto, sem acompanhar a maneira de como Jesus entende o Reino de Deus. Então, me acompanhe e discuta, em classe comigo e os seus, esta grande questão de como Jesus vivia o Reino de Deus.