VERDADES SOBRE O REINO DE DEUS

Mateus 6: 33; Romanos 14: 17



INTRODUÇÃO
Os textos que vamos nos deter hoje, encerram em si mesmos profundas verdades sobre o Reino de Deus. Embora ambas as passagens sejam palavras de autores distintos, porém elas se completam, por causa do propósito do que tenho a compartilhar com vocês neste estudo.
No estudo de hoje quero destacar algumas verdades do Reino de Deus no que se refere aos relacionamentos humanos. Você verá que não quero falar das riquezas e “bem-aventuranças” do reino, mas da manifestação da justiça, paz e alegria... no Espírito. Se você espera explicações profundas sobre tomada de regiões, demarcação de territórios, mapeamento espiritual, declaração profética e apostólica, não se decepcione. Quero falar do Reino de Deus entre nós e o que Deus quer que façamos em nossos relacionamentos de Reino. Além dos versículos acima, devemos ler todos os seus contextos. Então, devemos fazer uma leitura de Mateus 6 e Romanos 14. Inclua também Lucas 12.




1. O CONTEXTO DAS PASSAGENS
a) Mateus 6:33 – Esta passagem está dentro do discurso de Jesus chamado “O Sermão da Montanha”. Tanto Mateus, como Lucas narram este Sermão, cada um com um propósito diferente e, por isto, algumas partes deste sermão de Jesus contem algumas diferenças nos dois evangelhos. Mateus estabelece como plano demonstrar a maneira como Jesus interpreta a TORAH e como veio cumprindo toda a Lei. O tema sobre Reino de Deus está incluído neste sermão. Em Lucas, a passagem semelhante a esta de Mateus está em outro capítulo, que não faz parte do Sermão da Montanha. Então recomendo ler Mateus 6: 24-34 e Lucas 12: 22-31.

b) Jesus está falando sobre a busca ansiosa pelos bens necessários tais como, comer, beber, vestir. O problema não está em precisar ou buscar. O problema está na ansiedade pelas coisas da vida. Jesus, te asseguro, tem em mente a maneira de como Adão não se preocupava com o dia de amanhã. Ele não tinha que andar preocupado com o que comer ou vestir. Mesmo quando o homem e a mulher pecaram, Deus não os abandonou. Ele mesmo providenciou vestes para ambos, depois que se aperceberam estar nus (Gn 3: 21). Jesus apresenta a maneira de como o Pai cuida dos pássaros e dos lírios, providenciando para eles o necessário. Daí nos questiona, tal qual questiona os discípulos: não valemos mais que eles? Reafirma o fato de não andarmos preocupados com nossas necessidades. Por esta razão nos desafia se preocupar primeiro com as coisas do Reino. Paulo também nos lembra de não andarmos ansiosos, eles diz isto em Filipenses 4: 6-7.

c) No texto de Romanos, Paulo parte de um problema de relacionamentos no meio do povo de Deus. A questão é de como as pessoas estão prontas para julgar os outros e de como outros vivem como se não existissem pessoas próximas que podemos ferir com nossos conceitos. Porém, o tema é a comida ou a bebida. As pessoas estão tão preocupadas com o que os outros comem (metendo-se na vida alheia) que criam regras do que pode ou não pode, como parte de sua religião. De novo, crentes estão preocupados com comida ou bebida. Paulo trata de minimizar a preocupação com isto, porque viver no Reino de Deus não requer nos preocupar com o que comer ou beber. Precisamos sim destas coisas, mas não podemos ser governados por estas necessidades. O Reino de Deus é algo que vai além de nossa vida material e dos bens que possamos obter. Reino de Deus não se baseia em posses, comidas, tesouros e coisas que possam parecer importantes a nós. Reino de Deus baseia-se em buscar a vontade de Deus e não de si mesmo.



2. O REINO TEM UMA NATUREZA DIVINA
          Como observado, o Reino é de Deus e não dos homens. A natureza do Reino é que ele pertence a Deus e não a humanidade. A humanidade deve submeter-se aos planos divinos e não o contrário.

a) A palavra “reino” também é governo, soberania – Paulo cita em várias passagens que somos cidadãos dos céus. Nossa pátria está nos céus – “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” – Fp 3: 20, e pela fé, aguardamos a pátria celestial – “Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade” – Hb 11: 16. Por causa disto somos embaixadores por Cristo, pois representamos o Reino dos Céus. Estas coisas nos remetem a uma verdade: vivemos neste mundo, mas não somos dele. Os filhos de Deus vivem na terra com o propósito de representarem o Reino de Deus, o reino de amor de seu Filho Jesus Cristo. Embora o Reino seja dos céus, mas nós, seres humanos, somos ministros na terra. Segundo os Salmos, nós somos as labaredas de fogo, ministros do Senhor.


b) Há na terra outro Reino, que a tomou das mãos dos homens – Satanás, quando tentou a Jesus, conforme Lucas 4: 5-6, afirma que os reinos e a glória deles foram entregues a ele, satanás. Lendo Mt 12: 25-26, Jesus sugere um reino de satanás, quando discute a possibilidade de o reino do maligno não estar dividido. Paulo nos diz em Ef 2: 2 que há um principado das potestades do ar e conforme 2Co 4: 4, esse é o deus deste tempo. Tais passagens falam do reino do maligno, satanás. Jesus alertou e João também, que o mundo jaz no maligno. Este reino precisa ser destronado e retirado! Para tal o Reino de Deus precisa se manifestar. Mas, lembremos que esta não é uma batalha baseada na carne. Paulo nos adverte que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados. Para tal, as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim, poderosas em Deus – 2Co 10:2.

c) Lembremos que a natureza divina do Reino está em nós, porque Jesus nos diz, em Lucas 17: 21, que o Reino de Deus está dentro de nós. Somos casa espiritual, sacerdócio santo, templo do Senhor e o Espírito de Deus se move em nós. De acordo com Pedro 1: 4, por meio das promessas divinas, temos sido feitos participantes da natureza divina. O propósito disto é que entendamos que embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Jesus nos lembra, dizendo isto aos seus discípulos, que estamos no mundo, mas não somos do mundo, como ele não é do mundo. Por que devemos entender isto? O que Jesus quer que entendamos?



3.  O QUE VEM EM PRIMEIRO LUGAR
          Queremos muitas coisas, porém precisamos mesmo de poucas. O mundo de hoje gera em nós um desejo por muitas coisas, porque o marketing comercial gera em nós muitas necessidades. O foco da propaganda é: “Tenha isso, tenha aquilo! Sua felicidade é ter isto ou ter aquilo”. Somos impelidos a trabalhar e gastar, porque isto gira o capital, a economia. Quanto mais se compra, mais se necessita repor mercadorias e aí há mais emprego... essa é a linguagem econômica de hoje.

a) Comida e bebida não é reino – Na passagem bíblica de Romanos 14 o apóstolo Paulo se propõe a resolver uma questão séria de costumes: o que se deve ou não comer. Ele não tem nenhuma intenção em esclarecer o que se deve comer, seu propósito é declarar que a vida cristã não consiste nisto. Cristianismo não é baseado em comida e bebida. Saber o que é santo pra se comer ou beber e o que é pecado, neste caso, não constitui a cerne da vida em Cristo. O centro da vida em Cristo é justiça, alegria e paz... NO ESPÍRITO! Paulo quer tirar-nos do foco material e focalizar-nos no que é espiritual. Em sua discussão em Romanos 14, o centro da questão é que vivemos para o Reino de Deus.


b) Se observarmos, veremos que o que Paulo quer é que paremos de discutir valores carnais. O texto de Romanos se propõe a cessar a discussão de valores humanos que passam de acordo com a cultura, região que se vive, modismos e conceitos pessoais. Embora o apóstolo diga que o Reino não é comida nem bebida, se lermos o texto e o contexto, vamos ver que, ainda que realmente o reino de Deus não seja comida nem bebida, o que Paulo quer é dizer: O reino de Deus não consiste na discussão de nossas ideias humanas e necessidades pessoais. Ele quer dizer que o reino de Deus é baseado no propósito de implantar na terra justiça, paz e alegria espiritual. O nosso corpo precisa destas coisas, comida, bebida, vestes, onde morar... e Deus sabe muito bem que precisamos disto. Porém, se descansarmos nele, todas estas coisas serão supridas, porque ele tem cuidado de nós. Temos de trabalhar para que a justiça de Deus, a paz de Deus e a alegria do Senhor se manifestem.

c) Haverá um tempo em que o Reino de Deus dominará todas as coisas na terra, como era feito ao tempo de Adão, antes do pecado. Naquele tempo, Adão não se preocupava com outra coisa, senão em obedecer a Deus e relacionar-se com ele. Os políticos, de esquerda ou direita discutem qual a melhor forma de governo, se democracia, se capitalismo ou socialismo. Os governos querem ser mais justos e produzirem paz, afim de que o ser humano possa ser feliz. As liberdades, discutidas hoje em dia, a partir da ideia de que o homem pode fazer o que quiser porque é livre, nos coloca numa luta permanente pela busca da felicidade. Todos podem ser o que quiserem, mas ainda não somos felizes. Veja bem, Paulo quer dizer-nos que pra que a justiça e a paz se manifestem trazendo alegria a nós, temos de viver aqui e agora o Reino de Deus. Então, sobre a discussão do que comer e beber, ele acredita que o melhor a fazer é ambos os lados convergirem na direção da felicidade do outro: um não julgar o outro e o outro não escandalizar o um. Se buscarmos não a própria felicidade, mas a de outrem, então isto será Reino, porque no Reino eu não considero que o que como é mais importante, o mais importante é que haja justiça, paz e alegria. O foco do Reino não é buscar o que quero, o que preciso, o que gosto, mas o que Deus quer de mim. Eu não sou o centro, a vontade de Deus é o centro de tudo.



4. A SOBERANIA DE DEUS TEM PROEMINÊNCIA
          Fiz uma adaptação das passagens bíblicas a seguir, para melhor entendimento do propósito do escritor e/ou de quem proferiu as palavras. Releiamos agora Mateus 6: 33 e Lucas 12: 31 – “Mas façamos maior esforço pela soberania de Deus e para que a justiça da maneira que Deus entende nos governe” ... “busquem antes de tudo o governo de Deus e a demais coisas (tais como comida, bebida e o que vestir) lhes serão acrescentadas”.

a) O maior problema do mundo de hoje são as injustiças sociais, a má distribuição de renda e o hedonismo. Por hedonismo se define que é cada uma das “doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moraL. Embora se afastem no momento de explicitar o conteúdo e as características da plena fruição, assim como os meios para obtê-la”. Outra: “modo de vida inspirado na dedicação ao prazer como estilo de vida”. Hedonismo quer dizer uma atitude egoísta em busca do prazer pessoal. A maioria das pessoas está numa busca frenética de prazer pessoal, sem se importar com o alheio.

b) Quando o ser humano quer viver a sua própria maneira, o egoísmo impera. Aí não importa o que os outros vão pensar de mim, baseado num premissa falsa de que estou buscando a minha felicidade, sem me preocupar se o que faço torna o outro infeliz. Não, a justiça de Deus prevê que a maior felicidade de cada um de nós é fazer o outro feliz. Quer prova disto? – “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”. João 15: 12-13. Quer mais? – “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” – Romanos 5: 8.

c) Porém esta é uma atitude, em todo o tempo, recíproca. Essa atitude nunca é de apenas uma via ou “u’a mão”, é “mão dupla”, duas vias. Jesus nos ensina: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros” – João 13: 34. Não se pode falar de Reino de Deus, baseando nossas explicações no que temos de bens. Todas estas coisas são importantes: comida, bebida, vestes, moradia... Mas precisamos entender que Reino de Deus é justiça, paz e alegria NO ESPÍRITO, no Espírito, no Espírito... no Espírito. Não é na carne, no ventre, na alma, é no Espírito... mudemos o foco.  Então, encha-se do Espírito. Encha-se da vontade de Deus.




CONCLUSÃO
          Antes de nos aprofundarmos no tema Reino de Deus, precisamos compreender que não há manifestação do Reino de Deus se não nos deixarmos dominar pela vontade do Pai. Como visto, Reino de Deus não é um lugar pra se discutir posses e benesses. Reino de Deus é um lugar pra se discutir onde e como fazer a vontade de Deus. Isto é o centro de tudo.
          Como você pode me acompanhar, é preciso ler a palavra reino como soberania e governo de Deus. Alguns pensam em reino apenas pelo lado das riquezas que se pode desfrutar. É claro que no Reino de Deus há prosperidade, mas ela não é objetivo, é consequência. A meta é que sempre a vontade do Pai tenha proeminência.

          No próximo estudo vamos discutir onde está a vontade de Deus e como fazê-la. Porém, não podemos chegar a isto, sem acompanhar a maneira de como Jesus entende o Reino de Deus. Então, me acompanhe e discuta, em classe comigo e os seus, esta grande questão de como Jesus vivia o Reino de Deus. 

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